Acompanhe novidades sobre a literatura policial da autora e de outros grandes nomes do gênero.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
YESSS, SOMOS MULHERES E AMAMOS ESCREVER
Nesta
semana em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, está mais do que na
hora de frisarmos a importância do sexo feminino na autoria de ótimos livros
policiais. (Acho que) Foi-se o tempo em que mulheres precisavam usar pseudônimo
masculino para serem lidas, um preconceito justificado no passado porque não
recebíamos a mesma educação que os homens, já que precisávamos nos aperfeiçoar
apenas como mães, esposas, donas de casa.
O
decorrer dos séculos ficou do nosso lado e, sim, estamos abrindo caminho em
diversas áreas; embora continuemos a ter salários menores e sermos, com maior
frequência, questionadas quando numa posição de liderança. Afora isso,
lembremos que enquanto muitas mulheres dizem: "Vivemos num mundo melhor do
que antes", ainda existem aquelas que sofrem humilhações, violência
doméstica, abusos, estupros e, claro, elas não concordariam com a ilusão de que
Vivemos-Num-Mundo-Melhor-Do Que-Antes.
Leitores
do blog, fica a denúncia. Infelizmente, a misoginia ainda não foi erradicada da
história da humanidade. Pode ter diminuído, mas não abandonemos nunca as que
continuam sofrendo com esse atraso cultural e sociológico.
Então, em
homenagem a esse dia tão importante, vou listar aqui dez nomes de autorAS da
literatura policial. Primeiro, a nível internacional e depois, algumas do Brasil.
INTERNACIONAL
1. Agatha Christie: obviamente, essa seria a primeira a ser citada. Ela é conhecida por
seus 66 romances de detetive, 150 contos, peças teatrais e os famosos Hercule
Poirot e Miss Marple. A Rainha do Crime vendeu milhares de livros no mundo
todo, sendo apenas superada por Shakespeare e a Bíblia.
2. Patricia Highsmith: com personagens assolados pela dúvida e com
tal senso de dualidade psicológica, os leitores mais exigentes e críticos ficam
desconcertados pelas correntes psicológicas anormais encontradas nos romances
de Patricia. O fato de que ela apresentou forçosamente Tom Ripley como um
'herói criminoso' era algo inteiramente novo. Quem ainda não leu O Talentoso Ripley vai ficar
impressionado por se ver torcendo para que o criminoso saia impune por seus
crimes.
3. Gillian Flynn: autora de Objetos Cortantes,
Lugares Escuros, Gone Girl, Garota Exemplar, entre outros, a autora se
destaca pelo humor ao retratar suas personagens e por reviravoltas que fazem o
leitor se questionar "como ela pôde fazer isso comigo?". Em Garota
Exemplar, por exemplo, percebe-se grande influência biográfica da autora, com
detalhes que enriquecem e dão um colorido realista à obra.
4. Paula Hawkins: é uma escritora britânica nascida
no Zimbabwe, mais conhecida pelo seu romance de
suspense, o best-seller A
Garota no Trem. Por volta de 2009, Hawkins começou a escrever comédia romântica de ficção sob o pseudônimo de
Amy Silver, tendo escrito quatro romances, incluindo Confessions of a Reluctant
Recessionista. Ela não conseguiu nenhum sucesso comercial até
desafiar a si mesma a escrever uma história mais adulta e séria. Seu best-seller The
Girl on the Train (2015) é um complexo thriller,
com uma protagonista insegura, desempregada e alcoólatra, mas que deve superar
a si mesma para desvendar os mistérios pregados por sua própria memória.
AS NACIONAIS
5. Cláudia Lemes: natural de Santos (SP), Cláudia Lemes cresceu no Rio de
Janeiro, na Califórnia (EUA) e no Cairo (Egito). Teve a oportunidade de
conhecer dezenas de países em quatro continentes e foi essa vida cheia de
aventuras, a responsável por seu fascínio pela história, mente e comportamento
humano.
Cláudia
é autora de Eu Vejo Kate, Trilogia
Woodsons e do lançamento Um Martini
com o Diabo.
6. Carina Luft: é gaúcha e lançou seu primeiro romance
policial, em 2010, chamado Fetiche.
O livro foi finalista do Prêmio Açorianos em 2011 e publicado na
Alemanha, Áustria e Suíça em 2013 através da Editora Abera. Em 2014, a autora
publicou seu segundo romance chamado Verme.
Em 2015, concedeu o direito autoral da obra Fetiche para a Editora Oksimoron da
Croácia e foi Patrona da 13ª Feira do Livro de Montenegro e 9ª Feira do Livro
do Vale do Caí. Carina também escreve contos e crônicas para o seu blog
magazine. Para saber mais, confira em www.carinaluft.com.br
7. Vivianne Geber: a autora é militar há 19 anos, prestando assessoria jurídica à
Marinha do Brasil. Em Missão pré-sal
2025, a autora utiliza seu conhecimento profissional para trabalhar com
grande habilidade questões factuais na envolvente trama de espionagem.
8. Paula Bajer Fernandes: nasceu em 62 e vive em São Paulo. É Procuradora da República e escreveu
livros jurídicos e artigos acadêmicos. Desde 2012 escreve ficção. Publicou
"Viagem sentimental ao Japão",
"Nove tiros em Chef Lidu"
e "Feliz aniversário, Sílvia".
Os dois últimos são policiais. Seus personagens, divertidos tentam se livrar da
angústia de não saber e não conhecer tudo. Paula integra o Coletivo Literário
Martelinho de Ouro, só de mulheres, com quem já publicou diversas coletâneas.
Tem os blogues lolitaimaginario.com e cheflidu.com.
9. Fernanda Chazan Briones: escritora paulistana, também conhecida por
“Tia Fê”, tem três livros publicados e uma enorme
influência hispano-americana, fruto de sua graduação literária em
Buenos Aires. Fernanda é uma artista excêntrica, criativa,
inovadora e, acima de tudo, empoderada. Fã do Darth Vader e da
Virgínia Woolf, ela gosta mesmo é de problematizar! Por isso, resolveu criar o HOLA SOY FERNANDA, um espaço onde pode
falar sobre os três assuntos que mais ama: literatura, empoderamento e
latinidades. Confira: youtube.com/canaldatiafe e/ou facebook.com/fernandachazanbriones.
10. Cristiane Krumenauer: é autora de Chamas da Noite
(Ed. Giostri, 2014), Memória, Imaginação
e Narração (NEA, 2014), da série Contos da Namíbia (2015) e Atrás do Crime (Giostri, 2016). É
mestre em Linguagem, Interação e Processos de Aprendizagem pela
UniRitter Laureate International Universities. A autora gaúcha vive atualmente
em São Paulo. Em 2015, residiu em Windhoek, Namíbia, onde fez uma pesquisa
cultural junto às tribos africanas. A série Contos
da Namíbia é o resultado de várias histórias narradas pelos namibianos.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
O qUe É LiTeRaTuRa PoLiCiAl?
Olá, queridos leitores. Este blog prometia ser mais policial e acabou se tornando mais geral, não é? Tudo bem, nada de barreiras. É bom lermos vários gêneros, não concordam? Mas reconheço que a literatura policial deve ser o foco aqui. Então, vai aí uma matéria feita pelo escritor DANIEL BARROS a esse respeito. Ele cedeu generosamente esse texto ao blog. Como sempre, apreciem sem moderação :)
O QUE É LITERATURA POLICIAL?
O gênero policial se caracteriza na
sua estrutura narrativa pela presença do crime,
da investigação e do malfeito, tendo como foco a elucidação ou resolução do crime
(mistério). Além de não permitir a impunidade, pois politicamente propõe que o
crime não compensa. Essa é a definição clássica.
Para melhor nos situarmos na origem da
literatura policial, devemos buscar o início dos romances de aventura, pois por
um longo tempo ambos estiveram intimamente ligados. Com a introdução do
raciocínio e da lógica, a literatura de aventura vai aos poucos se
transformando, mesmo que algumas vezes confusas, no que hoje seria o clássico
policial.
Há diversas teorias sobre o
seu surgimento, entretanto a dedução e o raciocínio lógico constituem a sua
base. Já em 1747,
Voltaire publica “Zadig ou O destino”, em que, através da dedução, o
personagem, sem nunca ter visto a cadela da rainha e o cavalo do rei, ambos
desaparecidos, os descreve com exatidão e, por isso, é acusado de tê-los roubado.
Quando na realidade apenas se baseou nos vestígios deixados pelos animais na
estrada para descrever suas características. Zadig foi preso. Mas, quando os
animais reapareceram, os juízes pediram explicações a Zadig. Mas não sem antes
obrigá-lo a pagar uma multa, como se a vítima tivesse que pagar pelo erro dos
magistrados.
Zadig
esclareceu que, no caso da cachorrinha, havia notado no chão pegadas do animal
e logo concluíra ser de um cão. Percebeu também marcas leves e longas na areia
entre os vestígios das patas, revelando que eram de uma cadela com tetas
caídas, e que, assim sendo, estava recém-parida. Outros traços no chão em
sentido diferente, ao lado das marcas da pata dianteira, mostravam o tamanho
das orelhas em sua observação, da mesma forma que havia uma profundidade
diferente entre as impressões de uma pata e outra – levando-o a concluir que a
cadelinha mancava... Explicou também que, com o cavalo do rei, usara o mesmo
método.
Na literatura de aventura, os heróis
Ivanhoé, Robin Hood, Rei Artur e tantos outros são exemplos em que a ação
comandava as cenas; o raciocínio frio e lógico, quando surgia, era superado
pela valentia dos heróis ou pela força das armas. Por muito tempo o romance de
aventura dominou o mundo literário e com o decorrer do tempo se dividiu em três
fases: a primeira conservou o mesmo espírito, apenas ampliando seu campo de
ação; a segunda, de espionagem, que na verdade já existia, porém não com essa
nomenclatura, pois a esta não figurava como o centro da intriga, como podemos citar
Milady, no romance do célebre Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros. E, finalmente, a terceira fase, o romance
policial surge tendo o raciocínio lógico como força preponderante a suplantar a
ação e as armas.
No início do século XX, S.S. Van Dine
propôs as vinte regras do romance policial, regras muito boas para nortear a
base de um bom livro. Mesmo recomendando que seja verossímil, não permite
riscos para o detetive, nem nuances da vida amorosa do mesmo, com a intenção de
não distrair o leitor, o que considero uma falha do clássico romance de enigma.
Mas para nosso regozijo, dentro do gênero, encontramos o estilo negro, ou noir, como é mais conhecido, onde a
semelhança com a vida real é marca registrada; nele, o herói (investigador)
corre os riscos inerentes ao trabalho, bem como tem sua vida exposta, seus
casos amorosos, brigas, violência, etc. Tendo paralelas à investigação outras
tramas. Um dos grandes autores, se não o maior, é o nosso Rubem Fonseca, e
poucos sabem que foi comissário de polícia no início de sua carreira. Hoje é
considerado por Leonardo Pandura um dos melhores escritores do gênero. Fonseca
se torna conhecido do grande público, ao ter suas obras levadas ao cinema, onde
podemos destacar: Bufo & Spallanzani
(romance), O cobrador (conto) e Mandrake, que virou seriado de sucesso
na HBO.
Em nível mundial temos: Raymond
Chandler, que exerceu uma influência enorme no gênero romance policial moderno,
tendo seu personagem, Philip Marlowe, também levado para o cinema, no clássico À beira do Abismo.
Sem dúvida, é o estilo de que mais me
aproximo. Portanto, meu romance Enterro
sem defunto segue este caminho, porém como diz o escritor e crítico,
Maurício R. B. Campos: “O tom que caracteriza a obra é o noir, mas foge daquele noir
estereotipado. Estamos no Brasil, nos arredores de Brasília ou em uma praia de
Maceió. O tom é colorido como nos convêm, longe do preto e branco ianque.”
Dentre outros estilos, podemos
destacar o Interpretativo, onde é
narrado o crime já ocorrido, estilo muito bem utilizado por jornalistas, como
no livro de Truman Capote, A sangue frio:
trama que relata o brutal assassinato de quatro membros de uma família no Oeste
do Kansas. O livro descreve, de forma minuciosa, a vida pregressa dos
criminosos, sua fuga, bem como toda a investigação e a reação da população à
época. Para isso, Capote realizou várias entrevistas, tendo inclusive se
envolvido emocionalmente com os criminosos. E tudo termina com a condenação dos
assassinos que, posteriormente, foram enforcados.
No século XIX (abril 1841), Edgar
Alan Poe publica em um periódico da Filadélfia, Granam’s magazine; Dois Crimes da Rua Morgue (Detetive C.
Auguste Dupin); depois, A Carta Roubada
(1845), e passa a ser considerado o pai do gênero policial e seu personagem,
Dupin, torna-se referência para criação do detetivesco no romance policial.
Entretanto, há relatos de que no século XX o escritor e diplomata, ROBERT Van Gulik, traduziu The judge dee stories, as estórias de Ti Jen-Tsié, escritas no século
VII. Uma série de contos policiais baseados na vida desse juiz.
Outros autores tiveram breves passagens pelo
gênero; Dostoiévski, Balzac, Victor Hugo, E. Hemingway (Os assassinos, 1927, segundo Dorothy Parker, é um dos cinco
melhores contos americanos de todos os tempos) e até mesmo Charles Dickens, que
chegou a deixar um modelo de romance policial, que poderia se chamar de
policial perfeito, mas infelizmente, ao final, não apontou o criminoso. Falo de
O Mistério de Edwin Drood. Entretanto,
tais autores tiveram incursões esparsas, ficando de fato Poe como o grande
inspirador do clássico romance policial.
Enfim, seja qual for o
estilo escolhido, o gênero policial sempre estará presente entre os melhores,
pelo mistério, enigmas, deduções ou pela semelhança com a vida nua e verdadeira
que nos cerca.
Daniel Barros
Autor de O Sorriso da Cachorra,
Enterro sem Defunto, entre outros.
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